Katy Perry tenta 'pop consciente' e faz álbum sem hits óbvios
13/06/2017 - 6h35 em Música

Por Tatiana Regadas, G1

Quando Katy Perry anunciou que seu novo disco seria um “pop com propósito” muita gente segurou a respiração. A intenção é boa e o álbum está longe de ser um desastre, mas “Witness”, o quinto álbum da cantora, deixa a desejar.

Falta um hit. Como "Work" foi para o "Anti" de Rihanna. Um álbum completamente diferente de tudo que Riri já tinha feito e que não emplacou muitos hits, mas foi sucesso de crítica porque tinha força para “viver” longe das paradas.

Não é o que “Witness” entrega. Katy se arrisca bastante fora do seu universo pop mainstream, com parcerias inusitadas como a feita com o duo eletrônico Purity Ring, que aparece em três faixas, mas falta fôlego ao álbum.

Curiosamente, os principais produtores do álbum, Max Martin (o fazedor de hits do mundo pop), Ali Payami e Shellback são os mesmos de “1989”, que marcou a virada de Taylor Swift do country para o pop de vez de maneira acertada.

A impressão é que o mundo esperava neste momento que Katy fosse o “sonho adolescente” confiável em vez da cantora com propósito. Talvez as pessoas quisessem que ela fosse justamente a distração colorida que ela diz não querer mais.

Logo na abertura do álbum, na faixa que dá nome ao disco, Katy diz: “Se eu perder tudo hoje, você ainda ficaria?”. Talvez seja uma espécie de pedido de paciência aos fãs e críticos. Se esse não der certo, será que vocês ficam para o próximo?

 

O G1 ouviu e analisa abaixo faixa a faixa de 'Witness':

 

"Witness": A música de abertura parece um alerta: estou mudando, talvez não tenha ficado tão legal. “Estou procurando uma testemunha para me ajudar a passar por isso”, canta ela com um pianinho de fundo.

"Hey hey hey": Tem o dedo de Sia na composição e um refrão com o clássico “oh oh oh”, que costuma fazer qualquer música grudar na cabeça. Uma ode a si mesma e uma das que se salva.

"Roulette": Tem a vibe de “Sweet Dreams”, dos Eurythmics, com sintetizadores e é a mais “sensualizável” na pista. A melhor do álbum.

"Swish swish": A resposta a “Bad Blood” não é tão boa quanto a da rival, Taylor Swift. Em especial por causa da letra que falha na missão de “afrontar” e se salva graças à participação de Nicki Minaj. Os sintetizadores e teclados dão à música produzida pelo DJ Duke Dumond ares de balada nos anos 90, o que a deixa dançável, mas datada.

"Dèja vu": Os vocais de Katy ficam bem com a batida do house produzido por Hayden James. Max Martin não participa desta faixa e o resultado é um som distante do pop mainstream, mas interessante.

"Power": A Katy com propósito fala de uma mulher empoderada: “Sou uma deusa e você sabe. Então melhor mostrar algum respeito”. Mais uma vez, Max Martin não participa, o que dá novos ares à cantora. É uma das mais legais e poderia ser a faixa de abertura do álbum.

"Mind maze": Uma Katy com a voz carregada na distorção é sincerona sobre o seu atual momento: “Eu costumava ser tão brilhante, agora não tão charmosa. Será que encontrarei a salvação?”. O duo canadense Purity Ring deixa claramente sua marca de pop futurista.

"Miss you more": A primeira balada de “Witness” também é produzida pelo duo Purity Ring, mas falta a força de um vocal como em “Unconditionally”, do último disco.

"Chained to the rhythm": O primeiro single do álbum é também o mais crítico e curiosamente um dos mais parecidos com o pop costumeiro de Katy. Apesar disso, não teve gás para se manter nas paradas.

 
Katy Perry no clipe de Katy Perry no clipe de

Katy Perry no clipe de "Chained to the rhythm" (Foto: Reprodução/YouTube)

 

"Tsunami": A faixa produzida por Mike Will Made-it, que ajudou Miley Cyrus em “Bangerz”, parece uma tentativa de algo parecido com o cover de “Same old mistakes”, feito por Rihanna em “Anti”. Mas o refrão fraco não deixa a baladinha sexy causar mais impacto.

"Bon appètit": O segundo single do álbum não fez sucesso, mas é um dos acertos: refrão que a gente consegue cantar e batida boa para dançar. Melhora a cada vez que você escuta.

"Bigger than me": Mais uma produção do Purity Ring, a entrada promete uma música à la "RuPaul", que não acontece. A letra traz mais das mudanças que a cantora busca: “Falarei a minha verdade, mesmo que minha voz falhe”, mas a faixa é esquecível.

"Save as draft": A balada é uma das melhores do disco. Quem não consegue se relacionar com pensar em mandar uma mensagem para o ex, respirar fundo e apagar?

"Pendulum": Outro acerto do álbum. Cortesia do produtor Jeff Bashker, que joga um pouco de soul - com direito a coral e palminhas de fundo - em “Witness”. Mais uma vez, o que impede a música de ter mais força é o refrão fraquinho.

"Into me you see": Nem a produção da banda Hot Chip salva esta balada. Em um álbum carregado no pop eletrônico, fica a questão de por que a banda não produziu algo para as pistas...

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